Família Leptodactylidae

Leptodactylus furnarius

(Sazima & Bokermann, 1978)

Rãzinha-cavadora

Endêmico do Cerrado Comum
Campos
Ocorrência
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez

Leptodactylus furnarius

(Sazima & Bokermann, 1978)

Rãzinha-cavadora

Endêmico do Cerrado Comum

Leptodactylus furnarius

(Sazima & Bokermann, 1978)

Rãzinha-cavadora

Endêmico do Cerrado Comum
Campos
Ocorrência
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez

A rãzinha-cavadora (Leptodactylus furnarius) é uma espécie de porte médio, terrestre, noturna e insetívora. O seu epíteto específico é derivado do latin furnarius, que significa oleiro, em alusão ao comportamento da espécie de construir ninhos com formato semelhante ao de um forno (Heyer & Heyer, 2004). Possui ampla distribuição e ocorre em áreas abertas, no solo, perto de corpos d’água. Se reproduz em campos alagáveis, próximos a lagos e brejos, temporários ou permanentes, em solos de areia, onde cavam pequenos túneis subterrâneos que utilizam como sítios de vocalização e de nidificação. Os machos costumam cantar nas primeiras chuvas de outubro até abril, cantam empoleirados em lagos temporários ou canais de drenagem de chuvas perto de gramas com menos de um metro de altura (Filho & Giaretta, 2008). Os ovos são colocados em câmaras subterrâneas no chão e, após a eclosão dos ovos, os girinos são levados até os lagos pela água das chuvas. Possui modo reprodutivo do tipo 30, onde o ninho de espuma com ovos e estágios larvais iniciais são realizados em ninhos subterrâneos contruídos; após inundação, girinos exotróficos se desenvolvem em corpo d’ água lêntico. Os machos diferem das fêmeas por terem uma região gular mais escura e por ter o focinho em forma de pá (Filho & Giaretta, 2008). Ocorre nos estados da Bahia, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal (Baldo et al, 2008, dos Santos, 2010, Frost, 2019). No Goiás já foi registrado no sudoeste do estado (Morais et al, 2011) e nos municípios de Minaçu, Alto Paraíso e Mineiros (Valdujo et al, 2012; Kopp et al, 2010). Sofre ameaças da exploração madeireira, construção de reservatórios hidrelétricos e fragmentação de habitat causada pela expansão das fronteiras agropecuárias.

Diagnose

Possui uma linha dorsal branca, que se inicia no focinho e se estende ao ânus e, pelo menos, três pares de linhas irregulares dorsolaterais de coloração bege, com manchas irregulares pretas, sendo a última linha se iniciando na região posterior dos olhos seguindo até os flancos. As linhas dorsolaterais variam em tons de bege ao marrom-escuro, entremeadas por pequenas manchas circulares de cor preta. Lábio superior possui uma faixa de cor bege, que se inicia no focinho e segue até o tímpano (Sazima e Bokermann, 1978, Heyer e Heyer, 2004).

Curiosidade

Quer saber como o macho de Leptodactylus furnarius faz para construir um ninho subterrâneo? No início da escavação da câmara, o macho se estica um pouco, levantando a metade posterior do seu corpo e, com o focinho, prende a terra diante dele. Com o focinho na terra, ele impulsiona sua cabeça, fazendo uma entrada mais ampla na câmara. Esporadicamente, ele joga terra com suas mãos. Depois de alguns minutos que a escavação começa, o macho desaparece no chão.

Filho, J. C. de O. & Giaretta, A. A. (2008). Reproductive behavior of Leptodactylus mystacinus (Anura, Leptodactylidae) with notes on courtship call of other Leptodactylus species. Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 98(4):508-515.

Referências

Baldo, D.; Tomatis, C. & Segalla, M.V. (2008). Amphibia, Anura, Leptodactylidae, Leptodactylus furnarius: New country record, geographic distribution map and advertisement call. Check List, 4:98-102.

Dos Santos, T. G.; Giovanelli, J. G.; Storti, L. F. & Brasileiro, C. A. (2010). Amphibia, Anura, Leptodactylidae, Leptodactylus furnarius Sazima and Bokermann, 1978: geographic distribution extension in Brazil. Check list, 6(2):253-254.

Heyer, W. R. & Heyer, M. M. (2004). Leptodactylus furnarius Sazima and Bokermann, Cerrado Oven Frog. Catalogue of American Amphibians and Reptiles, 785.1-785.5.

Filho, J. C. de O. & Giaretta, A. A. (2008). Reproductive behavior of Leptodactylus mystacinus (Anura, Leptodactylidae) with notes on courtship call of other Leptodactylus species. Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 98(4):508-515.

Frost, Darrel R. (2019). Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 6.0 (Date of access). Electronic Database accessible at http://research.amnh.org/herpetology/amphibia/index.html. American Museum of Natural History, New York, USA.

Kopp, K.; Signorelli, L. & Bastos, R. P. (2010). Distribuição temporal e diversidade de modos reprodutivos de anfíbios anuros no Parque Nacional das Emas e entorno, estado de Goiás, Brasil. Iheringia, Série Zoologia, 100(3):192-200.

Morais, A. R. D.; Signorelli, L.; Gambale, P. G. et al. (2011). Anfíbios anuros associados a corpos d’água do sudoeste do estado de Goiás, Brasil. Biota Neotropica, 11(3):355-363.

Valdujo, P. H.; Silvano, D. L.; COLLI, G. & MARTINS, M. (2012). Anuran species composition and distribution patterns in Brazilian Cerrado, a neotropical hotspot. South American Journal of Herpetology, 7(2):63-78.

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